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segunda-feira, 10 de maio de 2010

PERIGOS DA CARNE BOVINA...


Novidades
Pesquisa reforça papel importante da carne bovina na transmissão da toxoplasmose
por Fernanda Marques
Pesquisa realizada no Paraná reforça o risco do consumo de carne crua ou mal cozida. Foram estudados rebanhos bovinos de quatro matadouros da região de Pato Branco e analisou-se o soro de 348 animais. Mais de 40% deles apresentavam anticorpos do tipo IgG contra oToxoplama gondii, parasito causador da toxoplasmose. Isso significa que os bois já entraram em contato com o T. gondii. Este, em geral, mesmo após controlada a infecção, permanece sob a forma de cistos na musculatura. É por isso que a ingestão de carne infectada crua ou mal cozida oferece risco. Publicado na revista Ciência Rural, o estudo foi desenvolvido pelo médico veterinário Heitor Daguer, durante seu curso de mestrado na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Um dos orientadores do trabalho foi a bióloga e pesquisadora Maria Regina Reis Amendoeira, chefe do Laboratório de Toxoplasmose do Departamento de Protozoologia doInstituto Oswaldo Cruz (IOC). As análises dos soros foram feitas no laboratório de Regina, nocampus de Manguinhos da Fiocruz, no Rio de Janeiro.
A toxoplasmose passa despercebida na maioria das vezes. Seus sintomas podem ser semelhantes aos de uma gripe comum. No entanto, a doença é grave entre pessoas imunodeprimidas, como pacientes com Aids, em quimioterapia ou submetidos a transplantes. Também é especialmente grave quando gestantes com infecção aguda transmitem o parasito para o feto, sobretudo no primeiro trimestre da gravidez. O T. gondii pode causar aborto ou danos ao bebê, como cegueira e retardo mental.
Quando apresentam o T. gondii, os felinos, entre eles o gato, são os únicos animais capazes de liberar com as fezes formas infectantes do parasito. Como essas fezes são eliminadas no meio ambiente, a transmissão do parasito também ocorre pela ingestão de alimentos ou água contaminados. "No caso dos rebanhos bovinos, provavelmente eles contraem o T. gondii porque o pasto e a água que consomem estão contaminados por fezes de gatos infectados", explica Daguer.
A detecção de carne infectada é difícil. A inspeção sanitária dos matadouros investiga lesões macroscópicas nos animais, mas a toxoplasmose, em geral, não produz nenhum sinal ou sintoma. "O melhor jeito de evitar a transmissão pela ingestão da carne é consumi-la sempre bem cozida", adverte Daguer, que já iniciou uma pesquisa semelhante com rebanhos suínos, também em conjunto com a Fiocruz.
Sessenta e quatro funcionários dos matadouros, entre magarefes, médicos veterinários e técnicos de inspeção sanitária, também tiveram seu soro analisado por duas técnicas diferentes. Um método (Rifi) detectou a presença de IgG contra o T. gondii em 67,2% dos soros. Já pelo outro método (Elisa), 84,4% dos soros eram positivos para esse anticorpo. Na população geral, esse percentual varia de 40% a 80%. Esses dados sugerem que os funcionários dos matadouros poderiam estar mais expostos ao parasito que os indivíduos que exercem outras atividades.
Contudo, nesse grupo de trabalhadores, Daguer não encontrou relação entre já ter entrado em contato com o T. gondii e o hábito de comer carne crua ou mal passada. O pesquisador atribui à manipulação não-higiênica da carne essa prevalência relativamente alta de IgG contra T. gondiinos funcionários dos matadouros. "Não usar luvas ou levar a mão à boca durante o manejo da carne e não lavar bem as mãos depois pode acarretar a ingestão dos cistos do parasito", sugere Daguer.